Em mim sempre houve um fascínio pelo fim das coisas, não pelo fim propriamente dito, mas pelo que vinha após o fim. "O que será que tem no fim do universo", "como será o fim do mais profundo oceano", "o que será que vem depois da morte", eram apenas uns dos questionamentos que eu tinha sobre o fim das coisas.
Uma pena eu não saber lidar com o fim, quando ele é proposto à mim e não quando sou eu a oferecê-lo. Típico de quem deseja controlar o mundo ao seu redor, já que não da conta do mundo que explode de dentro de si.
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Carlos Eduardo já teve uma vida. Amigos. Popularidade. As pessoas gostavam de estar perto dele. Era o tipo de cara que sempre tinha uma boa piada pronta pra compartilhar e fazer a turma sorrir. Na igreja, era quem ouvia o pedido de oração dos amigos, as reclamações, as indagações, as dores e aflições que atribulavam a alma alheia. Na faculdade ele era uma mistura de nerd-virgem com mineiro-come-quieto. Quem sabe se esse tenha sido o motivo para o fim de Carlos Eduardo, que de tanto se doar para os demais, foi se acabando, até que não existisse mais por completo, só em pequenos pedaços por aí grudado num refrão de uma música, num foto em um circo, na imagem estática de uma quarta a noite a beira-mar.
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Em várias culturas mundo a fora, o homem procura uma forma de lidar com o início e o fim das coisas. Para os budistas tudo é passageiro. Para o cristão apenas esse mundo é passageiro, pois existe um lugar secreto, escondido por Deus, que só será revelado quando as portas da eternidade se abrirem de uma vez por todas. Os gregos criaram para si a ave fênix, que alimenta até hoje na mente humana a possibilidade do reviver das suas próprias cinzas. É o extrair a vida da própria morte.
Seja lá como você queira ver a vida. Através de ciclos, fases, períodos, ou como quer que queira chamar ou enxergar, é bem verdade que nada nossa vida vai continuar igual como era anos atrás. Pessoas muda. Nós mudamos. O mundo muda. Aquilo que nós trás vida hoje, é o que nos sepulta em dor amanhã. E talvez essa seja a beleza da vida. Uma dádiva e uma maldição nos foi oferecida. O desfrutar de tudo que o você ama, enquanto está perto de você, por que tudo isso um dia é retirado de nós, assim como seremos retirados de outras pessoas, dia após dia. De igual modo, todo dia temos a oferta de algo novo.
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Todo dia eu posso provar algo novo. Um sabor novo. Ver algo novo. Ouvir algo novo. Ter um abraço novo. Oferecer um sorriso novo. Todo dia é algo novo. Todo novo tem um preço. Todo preço já foi pago. Todo pago já ficou para trás.
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